Missão espacial Artemis II se aproxima da Lua
Na tarde desta segunda-feira (6), os astronautas a bordo da Artemis II se tornaram os seres humanos a voar mais longe da Terra em toda a histór...
Missão espacial Artemis II se aproxima da Lua
Na tarde desta segunda-feira (6), os astronautas a bordo da Artemis II se tornaram os seres humanos a voar mais longe da Terra em toda a história.
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AO VIVO: Acompanhe a missão Artemis II
A espaçonave ultrapassou os 400 mil km de distância do planeta, recorde da missão Apollo 13 na década de 1970. A estimativa é de que os tripulantes da Artemis chegem a aproximadamente 407 mil km de distância.
Para dimensionar o feito, se essa distância fosse percorrida em torno do planeta, os astronautas dariam pouco mais de 10 voltas completas ao redor do globo. Isso porque a circunferência da Terra é de aproximadamente 40 mil quilômetros.
Ou então poderiam atravessar o Brasil, um dos maiores países do mundo, diversas vezes. Do Oiapoque ao Chuí, o território brasileiro tem cerca de 4,3 mil quilômetros de extensão. Isso significa que a distância alcançada pela missão equivale a cruzar o país de ponta a ponta mais de 90 vezes.
Após quebrar o recorde histórico, o comandante da Artemis II, Reid Wiseman, afirmou que o momento representa a continuidade da exploração espacial.
“Estamos honrando os feitos de quem veio antes e indo ainda mais longe no espaço antes de voltar para a Terra”, disse.
Ele também deixou um recado: “Que esta geração e as próximas garantam que esse recorde não dure muito.”
Como será a trajetória da missão.
Alberto Corrêa/Arte g1
A missão
A Artemis II foi lançada do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, na última quarta-feira (1º). A missão marca o retorno de voos tripulados rumo à Lua pela primeira vez desde o fim do programa Programa Apollo, encerrado em 1972, além de representar a estreia da cápsula Orion com astronautas a bordo.
Com duração prevista de cerca de 10 dias, o voo leva quatro tripulantes na nave Orion, impulsionada pelo foguete Space Launch System.
Apesar de não incluir pouso na superfície lunar, a missão tem papel essencial como teste em ambiente de espaço profundo. O objetivo é validar o desempenho da nave e de seus sistemas.
Se os resultados forem positivos, a Artemis II deve pavimentar o caminho para futuras operações que pretendem levar humanos de volta à Lua nos próximos anos, segundo a NASA.
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Lago de Furnas tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e 'cidades submersas'
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Lago de Furnas tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e 'cidades submersas'
O Lago de Furnas, um dos maiores reservatórios do Brasil, tem enfrentado uma crescente pressão ambiental que pode estar ameaçando o equilíbrio de seu ecossistema. Pesquisadores alertam que a combinação entre espécies invasoras, práticas intensivas de piscicultura e a presença de contaminantes emergentes vem alterando a dinâmica natural do lago.
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📺 De 30 de março a 10 de abril, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorrem o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostra a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, é possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real.
Ponte das Amoras, Lago de Furnas, entre Alfenas e Campos Gerais
Lucas Soares/g1
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Espécies nativas x exóticas: um ecossistema em desequilíbrio
De acordo com o professor Paulo Pompeu, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), o reservatório de Furnas já registra 65 espécies de peixes, sendo 51 nativas e 14 não nativas.
“Isso considerando apenas as espécies de peixe, porque existem várias outras espécies não nativas dentro do reservatório de Furnas, como, por exemplo, espécies de camarão e de moluscos não nativos”, destaca.
A distribuição das espécies revela um cenário de desequilíbrio. Segundo o pesquisador, há maior concentração de espécies nativas nas regiões superiores do reservatório, próximas aos rios formadores, enquanto áreas mais próximas à barragem apresentam aumento de espécies exóticas.
“Esse gradiente é muito nítido, de mais espécies nativas nas regiões altas do reservatório e menos espécies nativas quanto mais próximo da barragem”, explica. “E quanto mais próximo da barragem também aumenta a abundância e o número de espécies não nativas”, completa.
A introdução dessas espécies está diretamente ligada à ação humana.
“Algumas das espécies de peixes não nativas do reservatório de Furnas hoje nitidamente chegaram ao reservatório através de escapes de piscicultura”, afirma Pompeu. “E essas espécies, reconhecidamente, todas elas, acabam trazendo impacto à fauna local”, alerta.
Tanques-rede para criação de peixes no Lago de Furnas
EPTV/Reprodução
A piscicultura em tanques-rede é apontada como um dos fatores que contribuem para a degradação ambiental do lago. Segundo o professor, a prática pode comprometer a qualidade da água, especialmente quando realizada em alta densidade.
“O tanque-rede está relacionado a uma piora da qualidade da água, principalmente quando ele é realizado em grandes densidades”, explica. Ele destaca que o problema está ligado aos dejetos dos peixes e à ração não consumida. “Isso acaba mudando a comunidade de peixes no entorno dos tanques-rede”, afirma.
🐟 Espécies invasoras: Das 65 espécies de peixes registradas, 14 são não nativas; há também camarões e moluscos exóticos.
📍 Desequilíbrio na distribuição: Mais espécies nativas nas áreas próximas aos rios; aumento de espécies exóticas perto da barragem.
👩🔬 Ação humana como causa: Espécies invasoras chegaram principalmente por escapes da piscicultura.
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Contaminantes emergentes e riscos à saúde humana
Além das mudanças visíveis no ecossistema, pesquisadores também investigam ameaças menos perceptíveis, como os contaminantes emergentes.
A Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) está implantando um laboratório para monitorar a qualidade da água no Lago de Furnas. A coleta de amostras e análises deve começar no segundo semestre deste ano.
Pesquisadores da Unifal irão implantar laboratório para monitorar qualidade da água no Lago de Furnas
Oswaldo Henrique/EPTV
Segundo a professora Giovana Martins, o objetivo é identificar substâncias que ainda não são amplamente monitoradas. “Serão analisados diferentes tipos de contaminantes emergentes, incluindo metais e compostos orgânicos”, explica. Entre eles estão substâncias como chumbo, mercúrio, arsênio, além de medicamentos, agrotóxicos e drogas ilícitas.
“Os contaminantes emergentes podem causar desequilíbrios nos ecossistemas aquáticos, alterando a reprodução dos animais, podendo causar mutações no DNA e o aparecimento de tumores. Além disso, podem afetar outros organismos vivos e se acumular na cadeia alimentar”, acrescenta.
Outro ponto crítico é a dificuldade de remoção desses compostos nos sistemas convencionais de tratamento de água e esgoto. “Como não são totalmente removidos, podem alcançar a água de abastecimento, ampliando os seus impactos”, destaca Giovana.
A professora Mariane Gonçalves dos Santos reforça que o problema está na complexidade dessas substâncias. “Esses sistemas foram projetados para remover poluentes mais comuns, como matéria orgânica e microrganismos”, explica. “Já substâncias como medicamentos, hormônios e agrotóxicos são mais complexas, persistentes e aparecem em baixas concentrações, o que dificulta a sua remoção”, completa.
🧪 Contaminantes emergentes: Presença de metais pesados, medicamentos, agrotóxicos e drogas ilícitas na água.
🧬 Riscos ambientais: Podem causar mutações genéticas, tumores e desequilíbrios na reprodução dos organismos aquáticos.
🚰 Risco à saúde humana: Essas substâncias não são totalmente removidas no tratamento de água e podem chegar ao consumo.
Mariane também alerta para os riscos à saúde. “Muitas dessas substâncias podem apresentar potencial mutagênico e carcinogênico em seres humanos”, afirma. “Além disso, podem afetar o funcionamento do sistema endócrino e nervoso, causando problemas hormonais e neurológicos”, diz.
“Um problema muito sério é o aparecimento de bactérias super resistentes, que dificultam os tratamentos de infecções com os antibióticos disponíveis”, acrescenta.
Apesar disso, ela pondera: “Os estudos ainda são recentes e não é possível prever a totalidade de danos que essas substâncias podem causar aos seres humanos”.
Diante desse cenário, especialistas defendem a ampliação dos estudos e o envolvimento da sociedade. A UNIFAL-MG também pretende desenvolver ações de educação ambiental e parcerias com os moradores. “O apoio da comunidade é fundamental para o desenvolvimento deste projeto”, afirma Mariane.
Como os estudos são recentes, ainda não é possível prever a totalidade de danos
Júlia Reis/g1
Infográfico - Usina de Furnas em números
Arte g1
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